quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Resumão da Temporada 2012

Fonte: Grande Prêmio / Texto de Evelyn Guimarães

Se alguém dissesse, após as sete primeiras etapas, que a surpreendente temporada de 2012 fosse acabar com apenas dois candidatos lutando pelo título, ninguém acreditaria. Era impossível. Tamanha imprevisibilidade. Isto porque as ditas provas viram sete vencedores diferentes, o que tornou o campeonato um dos mais emocionantes e divertidos dos últimos tempos. A reconhecida força da Red Bull e a eterna competitividade da McLaren, bem como a busca da Ferrari por se igualar tecnicamente às rivais, não foram capazes de lidar bem com as mudanças no regulamento, a introdução de compostos mais frágeis e das intempéries do tempo. 


Com tantas adversidades, o talento, a inteligência e uma boa dose de sorte acabaram por embaralhar bem as cartas, dificultando qualquer previsão nos primeiros meses do campeonato. Em dado momento, pelo menos cinco dos seis pilotos das equipes de ponta foram apontados como favoritos ao título. Porém, como diz o ditado: só os fortes sobrevivem. E a explicação é que a segunda parte do Mundial esfriou bastante o entusiasmo daqueles que acreditavam que a disputa imprevisível seguiria até o fim do ano. Na verdade, os concorrentes foram ficando pelo caminho, em meio a acidentes, problemas mecânicos, punições e abandonos. 
A McLaren, por exemplo, sofreu alguns reveses doloridos. Viu Lewis Hamilton decidir pela Mercedes e não conseguiu dar um carro confiável ao inglês, que acompanhou duas vitórias certas escaparem pelos dedos. Jenson Button, por sua vez, esteve longe do desempenho do ano passado e também não foi capaz de entrar na briga de verdade com aos rivais.
Despretensiosamente, a Ferrari comeu pelas beiradas. Na verdade, Fernando Alonso é que comeu pelas beiradas. Sem nunca ter tido um carro dominante, o espanhol foi se aproveitando dos erros alheios para crescer e somar pontos importantes. Até o GP da Bélgica, Fernando havia completado todas as corridas da temporada. E a costumeira sorte do asturiano se fez presente em vários momentos.

Alonso, por exemplo, foi o primeiro a repetir vitória em 2012, com o triunfo épico em Valência, com direito a festa com a torcida e choro no pódio. Depois foi mais uma conquista, na Alemanha, mas muitos pódios também. De repente, o bicampeão se viu líder e em posição de negociar melhor seus resultados. Mas isso tudo mudou na metade final do campeonato.
Isso porque a Red Bull, que vinha meio capenga e apenas teve algum brilhareco, no Bahrein e em Mônaco, especialmente, resolveu seus problemas e retomou a performance afiada a marcou nas últimas temporadas, sempre pelas mãos do infalível Sebastian Vettel. O ponto de virada para o alemão foi Cingapura. Para Alonso, a coisa começou a desandar um pouco antes, em Spa. O acidente com Romain Grosjean o fez perder pontos importantes. Ele ainda salvou um pódio na Itália. Aí vieram as provas asiáticas. E mais um revés para Fernando.
Com a Red Bull cada vez mais afiada - foram quatro vitórias nas últimas seis corridas -, o espanhol passou a ter de lidar com a perda de rendimento da F2012. E de um abandono no Japão. Ainda assim, o ferrarista foi pódio na Coreia, na Índia e em Abu Dhabi. E conseguiu a façanha de alcançar um terceiro lugar suado no Texas. De favorito, Alonso passou a ser franco atirador. A seu favor, o espanhol de 31 anos tem os dois títulos que venceu no Brasil. Porém, por outro lado, Fernando nunca venceu em Interlagos e ainda perde a decisão de 2007. E terá de lutar contra esse retrospecto para reverter o jogo.
E é aí que Vettel entra. O alemão tem tudo para sair de Interlagos como o tricampeão mais jovem da história da F1, aos 25 anos, quatro meses e 22 dias. Além de todo o favoritismo que o cerca - carro bom, fase ótima e, de quebra, 13 pontos de frente para o rival, Alonso -, o jovem alemão tem um trunfo. Adaptando ao jargão do futebol, seria possível dizer que Vettel é um homem de decisão. Nas duas vezes em que chegou à fase final do Mundial em condições de levar o título, Seb não deu chances aos seus rivais: foi campeão em 2010, numa decisão dramática na última corrida, que teve Fernando Alonso como grande derrotado, e, no ano passado, garantiu o bi fácil, sem sufoco, com quatro corridas de antecipação.
A única vez que Vettel teve Alonso como rival direto foi em 2010, no primeiro ano do asturiano como piloto da Ferrari. A decisão chegou ao circuito de Abu Dhabi, o último da temporada, com quatro competidores tendo chances de garantir a taça: Fernando tinha 246 pontos, Mark Webber com 238, Vettel com 231 e, por fim e com chances irrisórias, Lewis Hamilton, com 222. Só o espanhol dependia de si para garantir a sua terceira taça e entrar em um seleto grupo.
Mas quem brilhou em Marina de Yas foi Vettel. Dono de um fim de semana perfeito do início ao fim, o alemão triunfou fácil e ainda contou com a boa ajuda de Vitaly Petrov, à época na Renault, que de eterno coadjuvante, ganhou atenção de protagonista naquela noite árabe. Fato é que a Ferrari errou grosseiramente na estratégia de pit-stop de Alonso, que depois da sua parada, voltou atrás de Vitaly, mais lento. Sem asa móvel ou Kers como artifícios para realizar uma ultrapassagem, Fernando ficou vendido, não conseguiu ganhar posições e terminou em sétimo. Esbravejou como quis contra o russo, mas teve de amargar o vice-campeonato.
Com a vitória em Abu Dhabi, Vettel terminou 2010 com 256 pontos, apenas quatro a mais que Alonso. Ambos empataram em número de vitórias – cinco -, porém o alemão fez valer a boa fase no fim da temporada, enquanto Fernando sequer conseguiu fazer uma corrida com o chamado “regulamento debaixo do braço”.
Se em 2010 a decisão foi dramática na última corrida, o ano seguinte teve uma história bem diferente. Vettel não teve adversários. Com um dos carros mais vencedores de todos os tempos, o Red Bull Renault RB7, Sebastian venceu nada menos que 11 corridas em 2012. Não à toa, o bicampeonato veio por antecipação após a conquista de um pódio no GP do Japão.
2012 já não foi um ano tão fácil assim para Vettel. A temporada, na verdade, pode ser dividida em duas quando o objeto de análise é o desempenho do alemão. Antes das férias de verão, Sebastian conquistou apenas uma vitória e terminou a primeira fase em terceiro, com 122 pontos. A arrancada veio depois da pausa no verão europeu. Com exceção do GP da Itália, onde abandonou, Vettel cravou quatro vitórias, um segundo e um terceiro lugar.
Fernando Alonso, lutador, conseguiu amenizar a supremacia da Red Bull na fase derradeira do Mundial. Com imensa bravura, o espanhol conseguiu levar a disputa do título mundial para a última corrida da temporada, no Brasil. Interlagos é a terra da esperança e de boas lembranças para Alonso. O piloto comemorou seus dois títulos mundiais exatamente no circuito paulistano, em 2005 e 2006. Contudo, nem mesmo quando tinha o melhor carro do grid, Fernando jamais venceu em São Paulo. Vettel, por sua vez, tem uma vitória, em 2011. Também conta a favor do alemão a grande fase recente da Red Bull no circuito paulistano: foram três vitórias consecutivas: além de Sebastian, em 2011, Webber triunfou em 2010 e no ano passado, depois de supostamente seu companheiro de equipe ter lhe “entregado” a primeira colocação.
Em condições normais, Vettel está mais próximo do título do que nunca. Mas ele luta contra um homem chamado até de milagreiro, alcunha justa para quem conseguiu tirar a Ferrari do limbo para fazer dela uma equipe capaz de brigar por vitórias e títulos. Vettel seguirá invicto? Alonso, apesar de ter histórico inferior ao de Vettel, conquistará seu terceiro campeonato em solo brasileiro? O próximo domingo responderá a todas as perguntas sobre o tira-teima da F1.


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